Bom, pra começar... Esqueci de dizer umas coisinhas sobre o nosso amigo Meu Nome é Carlos..
MNeC é uma cabeça complexa, mas também pop meio que sem querer. O figura se chama Fabeo, na verdade... vai vendo..rs; Ele conquista atenção fácil-fácil com esta espécie de personagem que assume diariamente para contemplar as coisas sob uma ótica dadaísta, e as vezes até pessimista... ai, ai.. como ele fala da morte, né? rsr
Fã do iconoclastra Rogério Skylab, tira sarro de muita coisa... dos irmãos evangélicos, e às vezes se irrita facilmente (quase como a Fernanda Young) com tudo ao seu redor. Mas com um senso irônico inacreditável.. não perde a amizade... Ainda assim, não tá nem aí em ser sociável. No fundo, todo este jeitão revela um inquieto que gosta mesmo é de romper com paradigmas pré-estabelecidos pelo senso comum e a industria do belo.
Acho que é isso.. Fiquem com a segunda parte da entrevista. E mais uma vez, dêem boas vindas ao novo colaborador do blog Discompasso!!!
DISCO - Como que a morte, algo que as pessoas costumam ter medo e não gostam de tocar no assunto, pode ser tão inspiradora para o Meu Nome é Carlos?
MNEC - Eu não vejo a morte como uma inspiração, talvez como um elemento de tranqüilidade no cotidiano. Mas é realmente fascinante o repúdio que as pessoas expressam abertamente sobre esse tema. Talvez eu fale tanto a respeito da morte pela possibilidade de observar reações, visto que eu jamais falo sobre a morte específica de alguém ou num contexto de ameaça nem nada do gênero. Não sei como a maioria das pessoas pensam ou porque sentem medo. Eu teria medo ao ponto da paranóia caso fosse constatado que eu entraria numa rotina que se estenderia por toda a eternidade, isso sim.
DISCO - Ao mesmo tempo, a morte parece ser uma boa saída para escapar do perfeccionismo que te assombra de vez em quando...
MNEC - A saída ou pseudo-cura para o perfeccionismo não é a morte e sim a desconstrução. A desconstrução das linguagens, estéticas, paradigmas e toda forma de criação estagnada é que detona o perfeccionismo. O irônico disso é que a desconstrução acaba criando uma diversidade tanto de linguagem, como estética e acaba sendo perfeita em resultado sem a necessidade da perfeição na execução.
DISCO - MNeC também gosta de dançar "putz putz"? (rrs)
MNEC- Ah! O MNeC certamente se deixa levar por determinados ritmos. É uma forma de apreciar a música. Algumas pessoas podem vir a estranhar que em determinada festa eu me jogue na pista em algumas musicas e sente em um canto
DISCO - Como é colocar ruídos electro-acústicos em sons de pista?
MNEC - Eu tenho o resultado estético na minha cabeça e sei que é viável. Resta apenas buscar a viabilidade técnica de uma criação ao vivo nesse sentido. Se os ingleses obtiveram tamanho sucesso ao despejar canções melodiosas e extremamente melancólicas em cima de batidas dançantes e arrancar gritos eufóricos nas pistas de dança, já está mais do que na hora de levar para pista os filmes de terror também.
DISCO - Você passou a acreditar mais ainda na força destes sons após ter entrado em contato com a história da música electro-acústica, nas aulas do VJ Fernão?
MNEC - Eu sempre tive muita convicção sobre os elementos concretos na música, mesmo antes de empregá-los. O que realmente me aproximou musicalmente dessa área foi a sugestão do Prof. Fernão de ouvirmos o "Marolo Noise Retrospective". Aquele set influencia até hoje minhas criações eletro-acústicas.
DISCO - Você vê alguma similaridade do uso da fita de rolo (de gravação) tocada como instrumento na época, com as interfaces MIDI e o sampleamento digital de hoje?
MNEC - Para se ter uma idéia da importância da música eletro-acústica para a atual música eletrônica, basta pensarmos nos dois elementos primários da música eletrônica: seqüênciador e samples. É bem provável que a música eletrônica viria a existir mesmo sem a música eletro-acústica, mas quando desenvolveriam sintetizadores musicais sem ter a idéia de utilizar osciladores de FM como era feito na música eletro-acústica? Quando passariam a utilizar samples e loops como já era feito na mesma?
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